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Dia da Liberdade Documental 2013

Hoje estive a celebrar com a ANSOL o Dia da Liberdade Documental no espaço J em Benfica. Embora fossemos poucos, fomos bons! Foi muito bom rever amigos, alguns deles da Comunidade LibreOffice Portugal.

As apresentações levantaram algumas questões interessantes, e mais uma vez se prova que o software livre está a ganhar terreno. Também se falou bastante no DRM. Na minha apresentação, falamos sobre as mais recentes actualizações do LibreOffice, do manual e a possibilidade de exportar para formatos de e-book.

Deixo também alguns recursos falados durante a apresentação:

Outras ligações:

Porque é que Portugal precisa de adoptar Software aberto/livre?

LibreOffice

Suite LibreOffice

A discussão entre software livre e software proprietário tem sido um jogo de monopólio disputado  entre vários peões, mas o que tem acontecido é que apenas um dos jogadores tem arrecadado o dinheiro. Portugal e os Portugueses, sem dúvida não é esse jogador.
Hoje estamos numa situação (económica) em que não nos podemos dar ao luxo de jogar “jogos de azar”, temos de mudar, e depressa, começando pela nossa mentalidade e pelas nossas opções.

Gostamos de importar conteúdos que tem tido bastante sucesso, gostamos de importar a melhor moda, mas não sabemos que os melhores sapatos do mundo são feitos aqui. Está na hora, de nós e o governo, importar também o que de muito bom se tem feito lá fora no diz respeito ás tecnologias de informação, utilizado também o que de melhor se produz cá.

Muitos de nós, e infelizmente formadores e professores, exactamente aqueles que são responsáveis pela educação dos nossos filhos, não sabem, ou não se preocupam em conhecer outras soluções. Talvez, se colocar-mos a questão de outra forma, consegue-se chegar ao cerne da questão. Será que algum de nós tem a ideia de quanto o nosso governo gastou em licenças de software (basta que multiplique cada computador por mais ou menos 300€/400€) nas nossas escolas?  Todo esse dinheiro podia ser investido em empresas Portuguesas, ou em Formadores e Professores Portugueses, ao invés de o ter desperdiçado em empresas americanas.

Muito destas opções devem-se ao enorme lobbie, há muita falta de informação, quer nossa, quer dos (supostos) técnicos de informática, quer dos nossos governantes, face aos prós e aos contras em optar por software livre ou por software proprietário.

Pela Europa tem-se registado uma mudança drástica, os governos, que têm de obedecer a fortes reduções de custos, estão agora abertos à discussão e a migrar para software livre em muitas das suas plataformas e soluções. Resultado, a Comissão europeia acaba de informar que a estrutura militar Francesa acaba de poupar milhões de euros na adopção de software livre, quer em plataformas, quer em sistemas operativos e software (cerca de 15.000 licenças). Este é apenas um exemplo, mas em quase todos os países da União Europeia têm-se registado migrações e poupanças de milhões de euros.
Felizmente a AMA (Agência para a Modernização Administrativa) tem vindo a desenvolver várias iniciativas, e a propor alterações que são muito bem vindas, mas ainda há muito trabalho a fazer.

Existem quatro questões principais que impedem a adopção, ou mesmo o conhecimento para a total migração que ainda não foi efectiva em Portugal.

Migração
Portugal, mais concretamente o Ministério da Educação, continuou a dar um tiro no pé com todo o plano tecnológico. Em primeiro lugar foi incorrecta a metodologia de adopção e implementação de software livre nas escolas. Se temos dois sistemas operativos à escolha, será óbvio que a utilização recairá sobre aquela que melhor se conhece.
A abordagem devia ter sido diferente, a habituação deveria ter sido feita em Microsoft Windows com todas as ferramentas livres disponíveis. Depois do aluno e do professor estar habituado ao novo software, a migração seria transparente e única coisa que mudava seria o sistema operativo.
O Magalhães foi outro tiro, desta vez no pé esquerdo. O nosso Magalhães é um portátil desenhado (na sua origem) para correr coisas leves, como sistemas operativos livres. Colocar-lhe Microsoft Windows foi como fazer furinhos pequenos à Nau de Fernando de Magalhães e lança-lo ao mar.

Suporte
Ainda existe uma nuvem negra no nosso país sobre o suporte ao software livre. Nada poderia estar mais errado. Existem enumeras empresas Portuguesas a dar suporte e mesmo a produzir software livre. As nossas melhores universidades (Évora, Coimbra, Aveiro, Porto, etc.) estão a desenvolver muito software livre. Para além disso, a manutenção e o suporte acaba por ser muito mais rápido e eficaz num sistema operativo ou num programa que se pode ver por dentro, do que num que não se pode.

Segurança
Quem pensa que software livre não é seguro, é porque foi muito mal informado, ou nunca experimentou.
Qualquer um que tenha experimentado e migrado, as mudanças radicais são visíveis, primeiro, apenas quem tem password pode alterar o que quer que seja, segundo, acabou-se o pesadelo de vírus e derivados. Só isto faz com que a maior parte dos utilizadores se sintam mais seguros e descansados face a outras opções.

Liberdade nos Documentos
Hoje em dia, com a evolução dos softwares e da consciencialização das empresas, questiona-se até que ponto a utilização de ferramentas proprietárias permitem uma liberdade tecnológica aos seus utilizadores (isto é, a liberdade de poder permutar de software sem a perca da sua integridade), e a interoperabilidade dos seus sistemas informáticos com os dos seus parceiros profissionais ou pessoais.
Deste a adopção por parte da União Europeia ao Open Document Format, que se veio a tornar o ISO/IEC 26300 para a definição de documentos, as entidades e os governos estão “obrigados” a disponibilizar a sua documentação em formatos livres e abertos. Na prática isto permite que ninguém tenha que pagar por software para produzir os seus documentos, e ao mesmo tempo, que todos o possam consultar e partilhar, num ambiente de interoperabilidade.

É importante que toda a sociedade tenha a noção que existem outras opções, permitindo a todos reduzir custos nas licenças onerosas, e nem por isso é assim tão difícil a evolução e adaptação ás ferramentas de software livre.
Por quanto tempo mais vai deixar que os seus impostos sejam esbanjados em ferramentas para as quais existem outras opções, quase sem custos, para si e para a sua empresa? É hoje que vai mudar?

Recursos

Segundo o meu colega Jorge Cabral, passo a citar “A DGRHE mudou para software livre a sua plataforma de gestão de recursos humanos ( https://sigrhe.dgrhe.min-edu.pt/ ). Utiliza agora o OpenERP que utiliza como servidor de base de dados o PostgreSQL (livre/gratuito) e é escrito em Python (livre/gratuito). Um bom sinal.”

Desde que fiz este post, só tem aparecido boas notícias.

OSDOC 2012

eurosigdoc logoEste ano, a convite do Professor Doutor Carlos Costa, apresentei um paper no OSDOC 2012 sobre  a minha experiência no envolvimento da Comunidade LibreOffice Portugal (por mim criada) e do Manual Aberto de TIC e LibreOffice. O resultado do meu trabalho foi hoje exposto no Hotel TRYP ORIENTE. Como é normal, deixo aqui a minha apresentação, e o paper  (indexado à acm).

 

Sessão sobre Software Livre e Aberto, Comunidades e LibreOffice no ISCTE

ISCTEA convite do meu caro colega Professor Doutor Carlos Costa, estive no ISCTE no passado Sábado, dia 24 de Março, numa sessão (ou melhor, conversa) sobre diversas temáticas relacionadas com o Software Livre no âmbito do Mestrado em Open Source Software.

Comecei inicialmente por fazer uma breve abordagem à distinção entre o software livre e o software aberto. Para melhor enquadrar o meu envolvimento no mundo do SL/SA falei de seguida do que é que me motivou a entrar para este mundo, e de que forma tenho contribuído, partilhando a minha experiência com a Comunidade LibreOffice Portugal.

Também falei de diferentes formas de envolvimento nas comunidades, focando, claro está, o caso do LibreOffice e também obviamente não podia deixar de levantar alguma discussão em torno de como ganhar algum dinheiro com o SL/SA, partilhando novamente as minhas experiências.

Por fim, e com a grande ajuda do coordenador deste Mestrado, discutiu-se algumas hipóteses de investigação que poderão ser desenvolvidas nas dissertações dos mestrandos.

ApresentaçãoComo é normal nas minhas apresentações, aqui ficam as ligações:

A licença, claro está, é creative commons. Façam o favor de partilhar.

Manual Aberto TIC e LibreOffice – O Projecto

A Internet trouxe-nos a possibilidade de podermos partilhar informação como nunca antes foi possível com outros meios. O crescimento das redes sociais e de plataformas como o Youtube e Flickr são exemplos disso.

Mas a abertura e partilha de informações, conteúdos, materiais e sobretudo de espírito chega-nos nos finais do século passado pelas mãos de Richard Stallman com um movimento que tem ganho cada vez adeptos. Os resultados deste movimento está hoje bem presente nos servidores da Internet, no software que utilizamos, nos telemóveis que usamos, etc., com o chamado software livre.

A importação destes conceitos de contributo para um bem comum, partilha de conteúdos, a possibilidade de criar de um projecto que pudesse ser acedido por todos independentemente do seu estatuto social, fez-me levar este projecto para a frente.

A génese deste projecto provém da necessidade transversal dos formadores muitas vezes serem obrigados a criar manuais para os seus módulos. Muitos formadores não dispõem do tempo livre desejado. Criar um manual de raiz implica um gasto de tempo, tempo esse que a nível pessoal entende-se que deveria ser dedicado ao próprio e à família.

A necessidade de criar um manual para um curso de TIC (apesar de ser actualmente um dos mais requisitados, até há bem pouco tempo carecia de conteúdos de qualidade e de rigor científico) levou à criação de um projecto de formação que usou como ferramenta Office o OpenOffice.org. No decorrer da construção do manual sentiu-se a necessidade (igual a muitos formadores) de procurar recursos pela Internet. Para OpenOffice.org existem alguns recursos (mesmo que em Português do Brasil), mas para TIC, são escassos, difusos e alguns, sinceramente, com alguma falta de qualidade.

O manual criado inclui então uma primeira parte que aborda a temática do software livre, uma segunda que foca os conceitos iniciais de TIC e por fim a terceira que orienta o formando/estudante na utilização da ferramenta OpenOffice.org.

A associação para a qual foi desenvolvido este projecto dispõe de poucos recursos financeiros (para licenças) e como partilha também da mesma filosofia, tornou fácil a sua implementação e a disponibilização do manual numa licença creative commons.

A utilização deste tipo de licença e a difusão por alguns meios de comunicação chamou a atenção de amigos e colegas de profissão e, quando houve a necessidade de desenvolver uma segunda versão do manual, foi-lhes pedida ajuda. Foi assim, com uma série de colaborações, que nasceu a 2ª edição do primeiro Manual Livre de TIC e OpenOffice.org, que é já um e-book com ISBN e tem o apoio da OpenOffice.org Portugal.

Enquanto marinava a sequência do projecto, a Oracle comprou a Sun Microsystems, o OpenOffice.org tornou-se uma bola de ping pong (passando agora para as mãos do projecto Apache), e a Open Document Foundation decidiu criar o LibreOffice que neste momento tem o apoio das maiores e mais importantes entidades do software livre.

Porque os nossos Professores e Formadores continuam com falta de recursos em ferramentas Office livres (para sua própria aprendizagem), porque não existe nenhum recurso actualmente de LibreOffice em Português de Portugal, porque o Ministério da Educação continua a gastar milhões (que não temos) em licenças Microsoft, porque é necessário um manual TIC com qualidade e que se possa partilhar, o objectivo é continuar o projecto, melhorá-lo e partilhá-lo com toda a comunidade lectiva e formativa.

Desta forma convida-se a comunidade formativa e docente a envolver-se neste projecto que vai ser apresentado por Adriano Afonso (mentor do projecto) na LibreOffice Conference em Paris, no dia 14 de Outubro com o título: “Portuguese IT and LibreOffice Open Manual“. Este projecto de momento conta já com o apoio da Novell Portugal, do Instituto Superior de Ciências Educativas, da Associação Ensino Livre e também do Portal Forma-te.

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